
Hoje apetecia-me ter-te aqui e na tua companhia, deixar escorrer as horas pela bica de água que se delonga no pequeno riacho do jardim.
Sentados lado a lado, no banco de madeira sob a sombra generosa de um choupo, deixaríamos falar o silêncio, de olhos espetados em nenhures, a saborear apenas.
E no nosso silêncio falaríamos do que nos vai na alma, dos mistérios, dos segredos que não podemos nem sabemos dizer.
Talvez a minha mão procurasse a tua, ou se procurassem ambas, só para nos certificarmos que continuávamos ali... que existíamos ambos no mesmo espaço e não éramos somente uma ilusão como agora somos.
E a tarde vestir-se-ia de crepúsculo, os patos regressariam em fila aos seus ninhos no seu caminhar dengoso e lento, os chilreios acalmariam...
Quando finalmente a noite estendesse o manto sobre a cidade... seria ainda em silêncio que nos separaríamos, certos de não havermos sido nada mais que um onírico devaneio, pois, logo as nossas vidas nos desencantariam.
Tay@2008
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