segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Despertar




Espreguiço
lânguida
contorcendo
Sentindo
o lamber
quente
prazeiroso...

Aninho
nesse calor
e uma onda
me percorre
a espasmos

Sorrio
latente
entumescida
da promessa
que se adivinha

Viro-me
ainda adormecida
a encontrar o beijo...

Abro os olhos
e línguas de sol
furam pela janela.

Tay@

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Batalha interior




Trago deuses e gigantes combatendo no meu peito.
Abalando montanhas de vontade,
Ceifando planícies de certezas...
E às vezes, temo que ao roubar-me o sono
Jamais se matem e me aniquilem pelo meio...

Tay@09.10

Amar-te...





Amar-te e não querer.
- Eis a maior das batalhas
Que na vida hei-de enfrentar.

Neste não querer te querer,
Dentro de mim ergo muralhas,
Que te impeçam de me tomar.

-Mas, como ao cerco sobreviver,
Se disparas setas, acendalhas,
Que o meu forte vêm queimar?

-Estarei condenada, eu sei, a render,
Se com tuas manobras me baralhas,
Incauta, um dia me hás-de arrebatar...

Tay@09/10

sábado, 14 de agosto de 2010

Je te raconterai un sécret au coeur de la fôret...




Ce soir
Je vais m'oublier
Pour les endroits eloignés
Au son des chants des grenouilles
Tout au bord du maurgouillis...

Ce soir
Je vais dancer
Parmi la foule des feuilles
Déguisée d'un oiseau-lyre.

Ce soir
Le brai, j'irais le dérober
De ses incandescentes lampyres.
Et j'irais me faire une lampe
Pour t'iluminer le chemin:

Suis le chant et les lumières
Et tu me trouveras t'attendent.

Tay@07.10

sábado, 10 de julho de 2010

Amar uma andorinha




Amar uma andorinha


Eu que nunca fui árvore
Almejo agora ser raiz
Ser a amarra que te ancore
À vontade de ser feliz

Eu que nunca fui roseira
A colorir nenhum quintal
Quero agora enfeitar um beiral
Onde voltes como da primeira

Eu que sonhei montes e vastidão
Só desejo agora ser campo harto
Onde venhas saciar a sofreguidão
Quando dos teus voos andes farto

Saberei morrer para voltar a viver?
Deixar-me pelo Inverno segar?
Para no pardo março despontar
Verde e viçosa como me queres ver?

Tay@.07/10

Erosão



Como não sei amar senão assim,
De alma exposta, escancarada,
Não olhes para trás,
(Eu to peço)
Quando sentires o apelo do fim.

- Que a tua partida predestinada
Sei que fará de mim,
(To confesso)
Ruína de uma casa abandonada.

Tay@

Hora do Lobo




Hora do lobo

Uma lua farta, luzidia
Reina sobre a planície adormecida
Vai alta a noite e vazia
Só eu aqui permaneço, esquecida.

E como te penso, sinto a falta do teu abraço
E cresce-me a saudade no peito
E como uivo de lobo rasgando o espaço
O choro surpreende-me no leito.

Mas por mais que grite esta tristeza
A distância é por demais imensa
Não me podes escutar com certeza.

Sentirás ao menos a mesma dor
De nos encontrarmos apartados,
Sem saber que futuro para este amor?

Tay@

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sou de vento!

Hoje sou
Sou de espuma
Sou de vento,
De um qualquer elemento
Que num sopro
Se esfuma.


Sinto-me
Brisa matinal,
Aurora boreal,
Manto diáfano
Sobre um campo
De trigo ufano.

E se o calor
Me abraçar,
Serei ao fim da tarde
Meiga aragem
A agitar a folhagem
Num rumor sem alarde:

Sou de espuma
Sou de vento
Mas só quero ser
Na tua vida
Um secreto alento!

Tay@.06/10

Haloclina

Quão diferentes somos!
Quão imensa é a distância!

Mas, quando o meu rio
No teu mar se amplexa,
Esvai-se a diferença convexa,
De possuir o côncavo vazio.

Torrente e tormenta
Quando se inventam,
É a desejo que se fundem.
E no clímax da tormentina,
Sal e doce se confundem
Em sidérea haloclina...


- Percebes agora a minha ânsia
De voltar a ser o que fomos?

Tay@06/10

Porque eu voltar a ser...

E na sucessão dos dias, dolente
Um virá em que serás somente
Uma breve, esfumada recordação
De desejos e noites ardentes
Nada mais que uma des(ilusão)...

Tay@06/10




http://www.youtube.com/watch?v=uJbiWGxyIhE

sábado, 1 de maio de 2010

Hoje apetecia(s)-me...





Hoje apetecia-me ter-te aqui e na tua companhia, deixar escorrer as horas pela bica de água que se delonga no pequeno riacho do jardim.
Sentados lado a lado, no banco de madeira sob a sombra generosa de um choupo, deixaríamos falar o silêncio, de olhos espetados em nenhures, a saborear apenas.
E no nosso silêncio falaríamos do que nos vai na alma, dos mistérios, dos segredos que não podemos nem sabemos dizer.
Talvez a minha mão procurasse a tua, ou se procurassem ambas, só para nos certificarmos que continuávamos ali... que existíamos ambos no mesmo espaço e não éramos somente uma ilusão como agora somos.
E a tarde vestir-se-ia de crepúsculo, os patos regressariam em fila aos seus ninhos no seu caminhar dengoso e lento, os chilreios acalmariam...
Quando finalmente a noite estendesse o manto sobre a cidade... seria ainda em silêncio que nos separaríamos, certos de não havermos sido nada mais que um onírico devaneio, pois, logo as nossas vidas nos desencantariam.

Tay@2008

Espero-te!





A noite passeia-se só pelas colinas
Exibindo soberba o seu manto tição
E ao cobrir as árvores ainda meio despidas,
Esconde tantos segredos que em mim vão.

Demoro-me por aqui sozinha, em silêncio...
E... desejando que me venhas procurar,
Deixo a minha porta aberta... e o coração...
- Sei que não virás, mas vejo a noite passar.

Amanhã cedo virá o sol desenganar-me
Secarei as lágrimas e fecharei as portas,
Mas, quando a noite voltar a visitar-me,
Sei que vou esperar-te pelas horas mortas.

Tay@009

Tu

Encantas-me os dias! Pincelas de arco-íris os meus pensamentos e povoas de borboletas etéreas a minha aura...
Sinto-me leve como brisa, radiosa como o espelho cintilante das águas que por aqui se estende, tonta como os pardais em chilreios infindáveis...
Não te toco ainda... mas sinto-te a cada pulsar deste meu coração alvoroçado, a cada arrepio que as tuas palavras me provocam...

Chiu! ... não contes a ninguém... Podem invejar-me!

Fecho os olhos e invades-me vertiginoso




Fecho os olhos e invades-me vertiginoso,
Tão intenso que quase te sinto a carícia...
O beijo a morder, o desejo caliginoso,
A pele a queimar de vontade e delícia.

Terás sido tão só uma doce miragem?
Nada mais que um sonho em reboliço?
Mas então porque te sinto tanta voragem,
Porque se prende no corpo este feitiço?

Quero-te mais!... Mais do que queria!
Preciso-te! Mais do que gostaria.
Tenho-te fome e sede, e não deveria...
Mas - ai de mim! - por ti me perderia!

Tay@2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Pélago

O meu sorriso nasce pelo teu olhar...
O meu riso menino pelo som da tua voz...
Os braços estendem-se, têm sede de (a)Mar,
Como se fossem os teus a minha foz...

Não sei por onde vai este rio
Que lanceiro me inquieta a alma:
Ora se revolta, ora se acalma,
Ora me arrebata, ora faz calafrio...

E tão lanceiro é e revoltoso,
Que receio que o corpo desejoso
Se evapore neste louco fervilhar
Ante no teu pélago mergulhar...

Tay@.10